Compositor: Sabina Joaquin, Alejo Stivel
Essa sala de espera sem esperança
Essas pilhas de uma campainha que estragou
Esse sorvete de morango da vingança
Essa empresa de mudanças
Com os móveis do amor
Esse sino mudo na torre
Essa metade partida ao meio
Esses beijos de Judas, esse Calvário
Esse visual de presidiário
Essa dose de humildade
Esse balançar da sua cintura, de um lado pro outro
Essa vontade de nada, muito menos de você
Esse subúrbio sem grilos na primavera
Nem costas com zíper
Nem anéis para ostentar
Essa casinha de bonecas de cabaré
Esse buquê de pétalas de sal
Esse furacão sem olho para governá-lo
Essa quinta-feira, essa sexta-feira
E a quarta-feira que virá
Não abuse da minha inspiração
Não acuse meu coração
Tão maltratado e desgastado
Que está condenado à demolição
Pelas falhas da minha voz
Se infiltra a desolação
Por saber que esses são os últimos versos
Que escrevo para você
Para dizer: Adeus, nós dois
Temos motivos de sobra
Esse museu de arcanjos empalhados
Esse cão andaluz sem domesticar
Esse trono de príncipe destronado
Essa espinha de peixe
Essa ruína de Don Juan
Essa lágrima de homem das cavernas
Essa forma do sapato do Barba Azul
Como a vida eterna dura tão pouco
Pelo túnel das suas pernas
Entre Córdoba e Maipú
Esse violão cínico e machucado
Com seu teimoso: Batendo, batendo na porta do céu
Esses lábios com gosto de despedida
De vinagre nas feridas
E lenço de estação
Esse Land Rover estacionado no seu manto
A rocha de Penélope no Luna Park
Esses dedos que sonham em te despir
Essa concha viúva
Sem o piano do mar
Não abuse da minha inspiração
Não acuse meu coração
Tão maltratado e desgastado
Que está condenado à demolição
Pelas falhas da minha voz
Se infiltra a desolação
Por saber que esses são os últimos versos
Que escrevo para você
Não abuse da minha inspiração
Não acuse meu coração
Tão maltratado e desgastado
Que está condenado à demolição
Pelas falhas da minha voz
Se infiltra a desolação
Por saber que esses são os últimos versos
Que escrevo para você
Para dizer: Adeus, nós dois
Temos motivos de sobra